quarta-feira, 15 de abril de 2015

A PARTIDA...



Eu sei de todas as suas fraquezas.
Escondido atrás do sorriso aberto
tem um homem que morre de medo ...

de descobrir o quanto está perdido.


As asas presas nas suas costas
estão sempre prontas para levantar voo
mas falta coragem para tirar os pés do chão.


Seu silêncio nas noites frias
é uma tentativa de reencontrar
aquela chuva fina que inundou
a rua onde que você morava
e te obrigou a ficar trancado dentro
de casa para sempre.


De nada adiantar passar todas as manhãs
procurando o botão da camisa azul
que caiu junto à seus pés,
a grama engoliu.


Engoliu também a sua vontade
de pilotar aquele navio que tantas
vezes você viu da janela do seu quarto
partir rumo às águas geladas do Pacífico.


E seu coração, seu coração,
seu coração... não conhecia a dor
de tentar e não alcançar o navio sem
nome, que o esqueceu no porto escuro,
de malas nas mãos, gravata afrouxada
e um nó seco apertado na garganta
!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Movimentos....

A decisão de ir embora foi minha.
Quando bati aquela porta, sabia que nunca mais iria voltar.
Deixei para trás histórias que não conhecia. 
Pássaros que jamais ouvi cantar. 
Vagalumes que não iluminavam minha janela.

Fui atrás do vazio. 

Na mala, apenas pedaços de papéis, roupas puídas, sonhos rasgados. 
Na cabeça, chapéu de feltro vermelho, 
óculos escuros para esconder os olhos arregalados, 
pensamentos que chegavam a lugar nenhum.

Rastros nem existiam.

Cheguei quando os sinos da igreja ecoavam as dezoito badaladas.
No céu, uma revoada de patos tomavam o rumo leste. 
Meu norte estava ali, aos pés da santa cruz, na beira do rio 
lamacento cheinho de peixes brancos, na porta da casa 
que um dia deixei para trás . 

De onde eu nunca tive coragem de partir.

fotoa: Afonso Cozzolino
Rio Negro AM

Rio Negro AM

Rio Negro AM


 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Sobre Páscoa , Fabrícios, Eduardos Jesus...

Páscoa é tempo de renovação, reavaliação, renascimento? Deus queira que sim, e com força ! Editei essa matéria no sábado de manhã com o coração partido. A dor da mulher de Fabrício e a do pai dela, vendo a filha sofrer, eram inalcançáveis, de tão profundas. Ela sabia que o marido dela e o pai das filhinhas dela não ia mais voltar pra casa. E ele morreu no fim da tarde. O rapaz de 25 anos passou a noite na farra e voltava dirigindo bêbado para casa. Atropelou Fabrício quando ele ia para o trabalho de bicicleta, equipado , às sete horas da manhã. Iria fazer um percussão de uns 30 kms pedalando, como fazia todos os dias. Não por diversão mas porque, segundo o sogro, "o patrão não dava vale transporte ".
O moço que o matou se livrou da prisão porque a família pagou 15 mil de fiança e vai responder pelo crime em liberdade.
Histórias que se repetem. Difíceis de serem contadas, mais ainda de serem vividas. Que matam os que vão e os deles que por aqui ficam, sem chão, sem ar, sem novas histórias para contar. São muitos, são tantos, uma multidão de Fabrícios e Eduardos Jesus, vítimas diárias da parcela mais perversa que habita em nossa volta 💔

http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-1a-edicao/t/edicoes/v/motorista-embriagado-que-atropelou-ciclista-e-solto-apos-pagar-fianca/4086412/

domingo, 29 de março de 2015

O Estranho...


Quanto mais te olho menos te reconheço. 

Que sorriso é esse que estampa uma alegria histérica?

O que aconteceu com seu cabelo, que agora brilha como uma noite sem estrelas ?

Seu olhar não é mais o mesmo... está muito mais desmaiado.

O jeito de andar está tão diferente, tão sem dança!

A voz é tremula como roupas leves soltas no varal.

Você já não diz coisa com coisa, nada queme interessa ouvir.

O outro que vejo hoje é apenas a sombra daquela pedrinha que um dia tropecei nela distraída e o meu rosto se enterrou no chão.

As mãos que me levantaram, elas sim, continuam extraordinariamente belas!


segunda-feira, 23 de março de 2015

Outono....


O outono dos seus olhos
Laranja ocre
Cinza pálido 
Verde desmaiado

O outono dos seus lábios 
Vermelho pálido
Preto desmaiado
Branco ocre

O outono dos teus pés 
Azul ocre
Amarelo pálido
Marrom marrom marrom

O outono da minha vida
Quais cores me reserva?


domingo, 22 de março de 2015

E sobre corrupção ...


No popular, corrupção é roubo. Então, o corrupto é um bandido, ladrão, larápio, salafrário, malandro, gatuno, etc. Roubar é uma decisão essencialmente pessoal, uma escolha - não sei se por desvio de caráter ou mal congênito - e vale para a retirada para si de objetos valiosos e bens grandiosos até para comportamentos que passam por cima dos acordos éticos e morais da sociedade.

Roubar o direito do outro. Furar fila, por exemplo, seja no cinema, no mercado..., no banco ...molhar a mão do guardinha pra não ser multado, não pagar as multas ou e ter um processo julgado rapidinho porque tem um primo muito esperto no serviço público que resolve qualquer problema... 


 E por ai segue a lista de vantagens que nós brasileiros bem conhecemos e amenizamos no nosso dia a dia alegando costumes culturais. Tudo isso é sim corrupção, é roubo, é crime, tem que ser punido rigorosamente, é claro: dos tubarões aos peixinhos. A impunidade é o veneno da nossa sociedade.

E, pior ainda, é repetir cegamente o mantra "se ele faz , eu faço também porque não acontece nada mesmo!".

 E assim caminha a humanidade por aqui. 

A corrupção não é praticada apenas por aqueles senhores engravatados que planejam ações milionárias dentro das repartições e hotéis cinco estrelas. Não é uma entidade abstrato que vive longe do nosso alcance sensorial. Ao contrário, é um mal que nasce dentro de casa, se alimenta dentro de casa, cresce assistindo atitudes e exemplos destorcidos: "vai meu filho, vai se dar bem na vida, custe o que custar". Corrupção não é o início, é consequência.

Eu lanço aqui um desafio, vamos repetir todos os dias: "por hoje, apenas por hoje, não vou roubar nem uma balinha, nem a caneta do colega, não vou trancar o carro do outro no estacionamento, não vou assinar qualquer papel sem ler, não vou ser cúmplice de malfeitos e nem vou aplaudir os que se proclamam semideuses".

Como diria o poeta - " é pau, é pedra, é o fim do caminho...".

 

 

quinta-feira, 5 de março de 2015

Mau olhado...

  
 
 

Não tem reza nem macumba
que tire seu mau olhado de cima de mim....
Sabe porque?
Porque não quero !

Seu mau olhado foi a
melhor coisa que meu corpo 
experimentou nos últimos tempos.
Meu corpo, que dormia
abandonado
esquecido
retorcido
coberto de teias
empoeirado
morto
sem desejos
sem reflexos
sem tremores...
despertou!!

Graças ao teu
bendito mau olhado!
Olhar
atravessado
enviesado
malicioso
delicioso
Olhar com gosto
de pecado
de pimenta ardida
de suor salgado...
 
Um mau olhado
dos deuses!!

Sedução...



Quando virei as costas tive a certeza que você jamais deixaria de me perseguir.
Tenho sim a péssima mania de deixar rastros preciosos que levam sempre até
a mim quem eu desejo seduzir ....

São fórmulas mágicas da velha bruxa que mora nas entranhas do meu corpo.
Ela sabe lançar um bom veneno como ninguém.


Às vezes, é um olhar lânguido.
Outras, é deslizando um batom
no instante mais improvável.
Pode ser um toque leve
no braço da presa.

Ou sussurrar exatamente a frase
que ela (a presa) deseja ouvir
para sentir-se a rainha do baile.


Como é fácil para a doce bruxa colocar
de joelhos o mais soberbo dos homens,
quando atingido por sua flecha maldita!


É um jogo perigoso, prazeroso,
em que não há empate,
o mesmo lado vence sempre.


Eu não sei brincar de outra coisa que não seja
o de despertar com minhas unhas
a serpente que dorme quieta no fundo
do armário vermelho.




sábado, 21 de fevereiro de 2015

Palavras da Alma

Amigos, minhas mal traçadas linhas começam a ganhar mundo e estou muito feliz :)
Cinco poemas meus foram selecionados para uma coletânea de autores de língua portuguesa, por uma editora com sede na Holanda! 
O livro já está pronto e estou esperando meus exemplares. E é vendido em euros!!!
Mais metida, impossível!!! 

Obrigada a todos que sempre me incentivaram a divulgar meus versos!!!






quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A Louca....


É problema meu se quero carregar o peso desse amor improvável pelo resto da minha vida.Ninguém tem nada a ver com minhas doces dores.  

A quem interessa saber sobre a quantidade de lágrimas que encharco meu travesseiro todas as noites? as olheiras são minhas, os olhos vermelhos que desfilo durante o dia só a mim pertencem.

As festas que deixei de ir porque não tinha par pra dançar, a quem importa? E se prefiro ficar enroscada nas minhas cobertas nas tardes de domingo, revendo o filme que assistimos juntos no primeiro encontro, quem precisa saber? A história é minha, só minha. 

Porque eu tenho que folhear escondida o belo álbum de

casamento, a lembrança  do dia mais feliz da minha vida? e que vai continuar sendo por toda a eternidade? só para não ser chamada de louca ??  

Me amarrem então

me deem sedativos  

me obriguem a fazer uma transfusão de sangue

joguem meu nome na lama

Puxem os meus cabelos

mas do meu insano amor não vou me separar jamais.










quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

02 de fevereiro....








No dia 02 de fevereiro de 2006 tive a mais misteriosa e deslumbrante experiência da minha vida. Estava de férias em Salvador e no dia da festa para Yemanjá, fui fazer uma caminhada na calçada da praia e vi a grande movimentação de religiosos e turistas que iriam participar da procissão de barcos em homenagem a orixá. Claro que desejei imensamente fazer parte do ritual, por curiosidade e por encantamento pela bela dama de azul. "Impossível", me disseram vários intermediários ... do passeio, a camiseta-ingresso é vendida com meses de antecedência. Inconformada, fiquei lá, recostada na mureta da praia da Barra apreciando a movimentação e esperando algo acontecer. Até que apareceu um senhor e perguntou se estávamos interessados na procissão porque ele tinha duas camisetas de um casal que desistiu. Aconteceu. O homem não era cambista, vendeu por preço justo e até esperou meu ex-marido Pescoço ir até o hotel buscar o dinheiro.
Deu tudo certo: em poucos minutos embarcamos rumo a bela cerimônia. Depois de uma volta pela Baía de Todos os Santos, o barco chegou no Rio Vermelho, onde fica a colônia de pescadores devotos que guardam a imagem de Yemanjá. Uma multidão em terra participava do festejo. Todo mundo de branco, entregando seus presentes para a rainha do mar. E era muita, muita coisa: flores de todo tipo, especialmente rosas brancas, colares, brincos e anéis, coroas, bonecas, espelhos, maquiagens , pentes, perfumes, cidras ... tudo que se imagina que uma mulher vaidosa gosta e deseja. E todas aquelas pessoas se uniram numa corrente para garantir que os objetos chegassem até a mãe d'Água.
E chegaram. Quem está em terra entrega as oferendas aos pescadores. Os pescadores remam até os barcos maiores e repassam os balaios sagrados . A escuna que eu estava ficou lotada de oferendas. Já era fim de tarde quando a procissão avançou mar a dentro. Eram centenas de embarcações e uma orquestra de buzinas a caminho do alto mar. Os fiéis sempre cantando ... o sol se pondo... até que em determinado ponto do mar, os barcos e lanchas pararam e formaram uma grande roda para que, finalmente, os presentes fossem oferecidos a Yemanjá. Momento de extrema magia. As oferendas foram imediatamente sugadas pela força da água de um redemoinho gigante que se formou naquele espaço. E um forte cheiro de alfazema exalava
de dentro do mar. Eu confesso que chorei de emoção tamanha a lindeza daquele quadro vivo. Era como se eu tivesse sido escolhida para ver com meus próprios olhos e sentir com o meu próprio corpo um fenômeno impossível de traduzir com palavras. Um dia impossível de ser descrito com toda sua verdade, uma história que ainda vou tentar contar melhor, se viva ainda estiver para isso.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O sorriso da bela senhora...

Salvador

 Tem dia que a saudade chega com a força do mar revolto quando bate nas rochas cravadas de mariscos. Arranha em talhos profundos, arranca sangue, deixa a pele cravejada de espinhos.

Outros dias, a saudade é leve como a memória da bela senhora que já perdeu todos os seus amores e vive de olhar as lembranças através da janela, carregando um sorriso no canto da boca. 

Tem dia que a saudade avança com a velocidade de um salto livre do alto de despenhadeiro rumo ao vazio, em noite de lua cheia e mar manso. O som do fim da queda se espalha além das estrelas.

Outros dias, a saudade é música que embala os pássaros, levada pelo vento cor de rosa, alegre como na tarde em que desenhei seu nome ao lado do meu, com um coração flechado entre nós, como promessa de amor eterno.

E foi. Se foi. Se fosse...

                   

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mais tempo...


Não é segredo que eu fiquei mais velha esta semana. É verdade que não saio por ai dizendo a minha idade mas não me importo revelar para quem perguntar (reservadamente, é claro). Mas digo: tenho idade suficiente para me permitir certas ousadias, em atos ou palavras. Para escolher onde ir e com quem andar. Gargalhar ou chorar onde, porque é por quem me der vontade. 
Já passei da segunda metade da expectativa média de vida do brasileiro, não tenho mais tempo à perder. Quando perco é por opção, não por imposição . 

Quero ser feliz todos os dias! O que é impossível. Não me importo com dias mornos, eles ajudam a equilibrar a carga dos excessos. Fico braba mesmo é quando estragam o meu dia com frases infelizes; interferem em minhas horas com problemas que não são meus; entram atropelando a minha paz e espalhando cacos de vidro no meu caminho.

Hoje, me peguei fazendo uma lista de coisas que me provocam antipatia ALFA! Nada que eu vá proibir de cometerem na minha frente ou vou romper amizades, é claro. Pelo menos de minha parte (ando meio ressabiada depois que um grupo de amigos rompeu comigo, sem dizer adeus, desde que revelei meu voto presidencial). 
São gestos que acho bobos, ou ridículos, ou até reveladores
 (alguns, acho graves) mas que tiram o meu sôssego. 
Vamos lá:
- quem toca guitarra invisível 
- quem faz coração com os dedos
- quem manda" beijo no coração" (aqui dependendo da pessoa é bonitinho)
- quem deixa rastro de perfume francês em mim
- quem come de boca aberta 
- ser ignorada pelx vendedxr ou garçonx
- quem faz bolinha com miolo de pão ( minha mãe fazia😱)
- começar uma conversa com: "- então"
- "eu te ligo". Mentira!
- elogiar com um " joinha"
- homem com pulseira dourada
- homem com sapato bicudão
- mulher com sobrancelha tatuada
- mulher com unhas de acrílico
- casal marombado 
- comida fria
- espumante quente

E mais um trilhão de picuinhas minhas, que não me levam a nada. Fazer o que? Só pode ser a conta a pagar por ter ultrapassado a metade do inteiro da existência .

Em compensação, a lista do que me dá prazer ao ver, ouvir, 
sentir, tocar... é imensamente maior, incalculável e irrevelável!🌻



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Verão ...

               
                        E então eu pego um avião e vou ao encontro do sossego.
                        Dou mergulhos em águas claras,  sem prender o ar.
                        Nado de braçadas largas até onde me é impossível chegar.
                   
                        Deixo o sol penetrar em mim sem o menor pudor.
                        Dou tudo de mim, entre um gole e outro de paz infinita.
                       
                        E então eu pego no sono profundo dos que acreditam em anjos.
                        O sonho é de calmaria: céu azul, risos frouxos, abraços mansos.

                        E então ele, sem licença, invade a cena, preenche o espaço,
                        com um simples e leve sorriso. Me lança um olhar de cumplicidade,
                        se aproxima galante, arrasta seus sábios pelo meu rosto.
                        Eu evito sua boca mas impossível desprezar tanta beleza.

                        E então, pego o avião de volta. Acima das nuvens,  alcanço
                        pensamentos que jamais pisarão em terra firme. Chego em
                        casa sonolenta, corro para cama, me cubro com lençol fresco.
                        Não deu nem tempo de apagar a luz antes de voltar à realidade.
                       
                     



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Crônica de um Natal....

Muitos têm dito e eu repito: 2014 foi um ano muito esquisito!!! 


Ano que carregou o peso dos conflitos, da intolerância e das contradições. A raiva explodindo fácil, muitos gritos e pouca disposição para ouvir. E na falta de forças para reagir, muitos nos calamos.
De dedos apontados com arrogância e de pouca acolhida.
Foi um ano que não passou, se arrastou sorrateiro, como cobra venenosa.

Eu cumpri minhas obrigações, ora com profundo prazer,
ora exaurida. Estive cercada por pessoas amadas, que me são vitais. E perto de outras que não precisavam estar.
Em 2014 convivi intensamente com meus velhos queridos amigos, aqueles que estão sempre ali, juntos, na alegria e na tristeza. Conquistei também novos laços que prometem não desatar jamais. Infelizmente, outros laços que pareciam eternos, desataram. Às vezes, a sinceridade das palavras age como o veneno da bruxa da floresta gosmenta. E a discordância de idéias termina como num duelo fatal:
a favorita de ontem se torna um ser desprezível aos olhos dos donos da verdade. São cristais que se esfarelam, viram pó. Paciência!
Mas viver um ano com tanta intensidade tem seu preço. Cheguei em dezembro sentindo dores que me imobilizaram, me deixaram chorosa. E dai chega o Natal, junto vem a saudade dos que partiram pra sempre, dos que tomaram outros rumos, a casa quase vazia, a ceia que não vai ter ....


Êpa, êpa! peraí, volta a fita!!
Não é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar?!? E que a felicidade até existe?! então, não tem drama não!!!
 
O meu Natal será como sempre foi: belo, iluminado, farto, alegre, ao lado de pessoas amadas, com troca de presentes e carinhos, abraços e beijos. Noite para agradecer o privilégio de romper muros, atravessar etapas, de viver o misterioso amanhã... de ter pela frente o universo inteirinho, de braços abertos, te oferecendo todas as chances para desenhar o próprio destino.!


FELIZ NATAL, MEUS AMADOS!!!
E que os dias que encerram dezembro sejam de sôssego, calmaria, preguiça... para que 2015 entre em nossas
vidas na santa paz de Deus!!!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Palavras ao vento...



Escrever o que, se todas as palavras

estão encerradas em mim?

 

Escrever sobre o que, se os fatos ainda estão por vir?

Escrever para que, se a vida é feita de surpresas? 

Escrever para quem, se para quem eu quero falar 

nem sabe que eu existo?

 

Vou é cantar!! 

bem alto

bem desafinada

bem dramática!!

 

Quem sabe assim eu consiga espalhar 

aos sete ventos, as palavras que eu ...

não consigo escrever! 


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Sobre mães e filhas ....





Deixei de ser filha, sou apenas mãe.
Apenas?
Não!! É muito, muito, muito...!

A vida é um vai e vem de voltas intermináveis!

Teve um tempo, que eu era apenas filha.

Tempos depois, vivi por muito tempo 
o papel duplo de filha e mãe... mãe e filha....
de cuidar e ser cuidada....
de ficar exausta e provocar cansaço...
De dar e receber...de dar e receber... de dar e receber...

Até que minha mãe saiu de perto de mim....
Que deixei de ouvir a voz dela todos os domingos 
ao telefone, só para me contar se chovia 
ou fazia sol em Niterói...
se tinha ido à missa, onde ia almoçar.... 
e saber como seria meu domingo....

Hoje é domingo e dona Heloisa faria aniversário!
Certamente teria muitas coisas para me contar 

mas o telefone não vai tocar.
A filha aqui vai ficar só na saudade.


Ah! mas hoje, a mãe aqui já recebeu o telefonema 
da filha que está longe, só para me contar
da nova vida e deixar claro que está perto de mim.

A outra filha está aproveitando o domingo, 

como deve ser na idade dela. 

E eu??

Eu não estou sozinha neste domingo, estou com todas elas, juntas, aqui, em volta de mim. <3 <3 <3

domingo, 7 de dezembro de 2014

Luisa no mundo...

E ai você embarca na história de que a gente cria os filhos para o mundo. Vai lá e batalha para o filho encarar o mundo. E ensina que o mundo é redondo e ajuda o filho a sair do quadrado. E dai, chega o dia que o filho faz as malas e sai para explorar o mundo!!l
Luisa embarca daqui a pouco para os Estados Unidos!
Vai morar com outra família e conviver com novos amigos. 
Explorar e mergulhar no novo mundo. Afinal, acho que a preparei bem pra isso. E até para realizar aquele sonho secreto e egoísta dos pais: induzir os filhos a realizarem os sonhos que eles não conseguiram!
Mas agora eu me pergunto: como fico eu sem minha filha ao meu lado?! Como vou encarar meu dia sem controlar o dia dela? A quem eu vou culpar pelo sumiço dos meus brincos, lenços e roupas? Pelos copos sujos na pia? A garrafa de água fora da geladeira? Pelo quarto eternamente bagunçado ?? Quem vai insistir em dormir na minha cama, comigo e com a cachorra junto, num cenário de adorável caos?
Assim como a Luisa  vai embarcar para uma nova aventura, eu também, a partir de hoje, vou ter que aprender a viver num novo mundo. Tudo em nome do amor e felicidade dos filhos. 
E da bendita história de que a gente cria os filhos para o mundo. ❤️

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ciúme...

Sinto um ciúme tão grande 
quando você voa 
com as próprias asas.
Quando você faz 
o sinal da cruz
pega a estrada longa
com o pensamento longe
e chega lá antes de mim.

Sinto um ciúme imenso
quando te vejo sorrir 
com os olhos para aquela 
que está do outro lado da rua
que nem sabe que você existe
mas te leva de mim 
no rastro da sombra dela.

Sinto um ciúme tamanho
quando você me chama 
para sentar ao seu lado
me conta histórias engraçadas
e depois pega no sono
para sonhar não sei com quem.

Sinto um ciúme desgraçado
quando te vejo dançar por ai
agarrado em outro abraço
rodopiando em outra saia
pisando forte em outros pés 
machucando sem dó o
que sobrou do meu coração .

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A velha em mim....

Toma conta de mim, a velha que estar por vir.
Converso animadamente com quem nunca vi antes: na fila do supermercado, na espera da consulta, com a vendedora da loja ...
Com o vigia refém na garagem do prédio onde moro, falo sobre o tempo, toda santa vez que me encontro com ele:"- e a chuva lá fora?"... "- o calor tá demais, hein!". Se fico uma semana sem vê-lo no posto,  é certo eu perguntar:"- estava de férias?". 
Depois, viajo no elevador rindo sozinha!

A velha que está por vir, me ronda diariamente.
Posso até não lembrar minha idade, meu nome.... mas jamais esqueço de levar o copo d'água fresca todas as noites para o quarto: Deus me livre e guarde de acordar com sede no meio da madrugada e não ter um copo pra me socorrer!

Dissimulada, a nova velha fala coisas sérias gracejando da vida. Quando digo para fulano que ele é um chato, porque de fato o acho chato, deixo no ar a dúvida cínica se estou sendo sincera ou se estou apenas brincando. Velha esperta, assim ela evita discussões .

Como uma boa velha, perco a memória com a maior facilidade. Esqueço as tristezas num triz. Os segredos que ouço, se apagam em dez minutos. Os compromissos enfadonhos, evaporam. Pagar contas no dia certo, agora é raridade - calendário virou sopa de numerinhos.
Pena que momentos sagrados também se apagam com o tempo!

A velha que já me habita, sabe muito bem o que é felicidade, 
ela viveu o suficiente para decifrar os desafios do coração. Amor, paixão, atração, tesão, sedução.... é tudo  a mesma coisa. 

O desafio da velha agora é manter lento o ritmo da caminhada em direção ao tempo que ainda resta para amarrar a eternidade 
aos pés da cama!✨❤️🌻



Lago Paranoá

sábado, 8 de novembro de 2014

VOLTA....

Queima todas as cartas que te escrevi.
Destrua todas as flores que te mandei.
Quebra todas as taças dos vinhos 
que tomamos juntos.

Rasga todas as fotos em que 
aparecemos juntos.
Apaga todos os rastros das 
nossas viagens.

Silencia todos os gritos que
demos juntos.

Arruma a cama que deixamos
Bagunçada .

VOLTA.... antes que seja tarde!!!

Paraty


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Pensando alto....


Estou apaixonada!

Quer dizer, acho que estou apaixonada.

Quer dizer, acho que estou querendo estar apaixonada. 

Quer dizer, acho que estou querendo achar que estou apaixonada . 

Quer dizer, tem hora que acho que estou a um minuto de 
estar apaixonada . 

Quer dizer, tem hora que acho que se eu voltasse uma hora 
eu estaria apaixonada.

Quer dizer, tem hora que é melhor eu estar apaixonada .

Quer dizer, e porque não, não estar apaixonada?

Quer dizer, tudo indica que estou apaixonada.

Quer dizer, estou me sentindo apaixonada.

Quer dizer, sinto que estou apaixonada.

Quer dizer, sim, estou apaixonada.

Estou, apaixonada.

Apaixonada!! 

Será?...

sábado, 1 de novembro de 2014

Meu destino ...

Eu acredito em destino.
Acredito na reserva do tempo 
para encontros predestinados.

Acredito nos desvios de caminho 
que criam novos atalhos.

Acredito na volta das horas 
que revoltam os minutos 
para surgir um novo dia.

Creio muito em almas gêmeas  
que se buscam eternamente, 
para sempre e sempre...

Creio na procura 
da outra metade, 
para formar o único, 
viver o inteiro.

O meu destino cruzou
com o seu destino. 
O nosso destino
se desfaz em gotas, 
forma chuva, 
ensaia tempestade.

Eu acredito sim em destino.
O destino é que não 
acredita em mim. 

O destino joga comigo: 
me faz desejosa, teimosa,
amorosa, chorosa, 
ansiosa, 
prosa...
dona dos meus dias! 



sábado, 11 de outubro de 2014

RE-Verso



Me viro pelo avesso
Canto um verso
Danço um tango
Tomo um trago
Peço um afago

Me viro pelo avesso

Pra ganhar um verso
Ganhar um beijo
Dar o troco
Ter um troço
Achar meu reverso. 


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Entrega ....


Península de Maraú



Teve um tempo que nada importava!
A felicidade era tanta, 
que a sensação de morte eminente
era o que havia de mais sublime.

Teve um tempo que nadar
nua no rio era como dar 
braçadas na vida e chegar
onde jamais qualquer 
peixe encantado chegou.

Teve um tempo que gritar
era a mais absoluta forma
de expressão divina. 
O corpo estremecia como
sangue em ebolição e
desmaiava em sono profundo. 

Teve um tempo que dizer
"eu te quero" era pecado.
Sussurrar "eu te desejo" 
era como lançar palha 
na fogueira e deixar o fogo 
arder  até o infinito.
E eu, me deixar queimar... 
até derreter a alma.!


sábado, 4 de outubro de 2014

Pela boca...


Respiro pela boca!
Pela boca entra a vida 
que me consome
Pela boça como as palavras
que me alimentam

Pela boca desenho meus
sentimentos mais secretos
Pela boca silencio meus
desejos mais secretos
Pela boca revelo 
minhas outras mais secretas

Pela boca solto o fogo
que te queima 
que me queima
que nos salva!




quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Eleições 2014


  

Quando me perguntam em quem vou votar, muitas vezes respondo "não te interessa", ou digo a verdade, e às vezes até minto. Isso porque, quase sempre, a pergunta vem em tom agressivo, olhar fulminante, postura de quem não quer ser contrariado e vai tolerar ouvir opção diferente da que ele/ela acredita ser a melhor. E eu não estou nem um pouco disposta a entrar em qualquer debate insano entre forças contrárias. Não faço parte da turma que espuma ódio contra o adversário. Que xinga, ofende, inventa, trucida quem não veste a mesma cor que ele. Não entro nesse jogo de disputa pela verdade absoluta. A verdade é um bem individual, não cabe a ninguém colocar a sua goela abaixo do outro. E eu também não acredito nesse espírito patriótico oportunista, que baixa somente 
  no período eleitoral.
 Política se faz no dia a dia: no respeito aos direitos individual e coletivo; em não se omitir diante dos desmandos e injustiças; em não aceitar favores e propinas (e nem oferecer favores e propinas) para obter vantagens - seja uma promoção no trabalho, seja uma vaga no estacionamento; é não dar desfalques ou calotes; não usar sua condição econômica ou/e política para pisotear o menos favorecido; é não usar de violência física e/ou verbal contra quem você enxerga diferente; é oferecer um lar saudável para as nossas crianças. 
Somos sim, todos cidadãos políticos. E aqueles escolhidos para nos representar nos poderes, não são deuses salvadores da pátria. Alguns são até o capeta em forma de gente. Mas eles só chegam até lá porque nós os colocamos. E depois, lavamos as mãos, fechamos os olhos, os deixamos livres para usufruir das benesses sem prestar contas, espalhamos milhos dourados para  galinhas famintas.

Eleição é sempre uma nova chance de varrer os entulhos e recolher  os estercos. Eu adoro votar, sempre me emociono diante de uma urna. Tenho sempre a ilusão de que estou ajudando a colocar o país no trilho, que mais brasileiros vão acordar sorrindo na segunda-feira. 
Domingo não deve ser diferente. Apesar de ter perdido a vontade de brigar, eu não perdi a capacidade de me indignar. E muito menos, de sonhar!!

domingo, 28 de setembro de 2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Some....

Por onde você andava bem na hora que eu mais precisava 
de você perto?
Porque você dormiu bem na hora que eu mais precisava
te ouvir ?
Como você me deixou falando sozinha bem na hora que eu 
mais precisava calar?
Onde você se escondeu bem na hora que eu mais precisava 
do seu ar?
Quando resolveu me largar bem na hora que eu mais precisava 
te pegar? 
Que sorriso é esse bem na hora que eu mais precisava 
arrancar seus olhos?

Toma, pega meu beijo ardente e some da minha frente!


Estação da Luz SP





quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Crônica de uma bicicleta feliz ....

Paraty RJ

Quando vi a bicicleta rosa recostada no muro tomado de limo, num beco encantado  da velha Paraty, respirei profundamente feliz e pensei:
" - como eu gosto de bicicleta!!"
Subir na bicicleta e tomar o rumo que o vento levar, é um ato de liberdade, a primeira transgressão de uma criança. A aventura de partir em alta velocidade, montado em duas rodas , sabendo que vai voltar, mas deixando nos outros a incerteza da volta, provoca uma euforia na alma infantil que jamais se esquece. É a fuga de mentirinha, o sumiço de poucas horas ou poucos minutos dos olhares vigilantes .

Menina de 8, 9 anos, eu morava na Vila Planalto, no acampamento da Rabelo, uma espécie de condomínio de chão de terra batida, onde viviam operários, funcionários públicos, migrantes... todos em harmonia dentro da mesma cerca. A minha aventura era pegar a bicicleta e ultrapassar os limites, chegar em outras ruas e descobrir seus encantos. Fazia isso com o coração na boca, assustada, com medo do imprevisível.
Procurava atalhos, admirava as casas, catava frutinhas do cerrado ... e voltava esbaforida, antes de ser descoberta. Um dia levei um tombo porque a borracha do guidom saiu na minha mão. A ponta do ferro bateu no canto da minha boca e fez um pequeno corte, sangrou mas eu não podia confessar minhas fugas e agüentei firme. Adoro a cicatriz que trago até hoje, sinal de uma bela lembrança .

Tempos depois, nos mudamos para a Asa Sul e a bicicleta continuou sendo minha companheira de passeios e exploração da redondeza. E também um instrumento perigoso nas mãos de uma Elisinha endiabrada. Uma vez briguei com a Patricia, minha melhor amiga, e resolvi castigá-la.
Ela emburrada, teimava em ficar encostada no carro com as pernas esticadas, provocativa. Eu, sem a menor dó, guiando em círculos, passei diversas vezes com os pneus da bicicleta em cima dos pesinhos finos dela. E ela firme, não chorava e nem pedia para eu parar. Foi um duelo de titãs!

Quando comecei a trabalhar, a primeira coisa que comprei com o meu primeiro salário foi.... uma bicicleta! Cor de rosa, com cestinha, como essa que me encontrou em Paraty. Era uma Caloi Ceci, o bibelô da época e eu achava a coisa mais linda! Numa tarde de sábado, fui até ao Conjunto Nacional e comprei o meu possante à vista, bem metida. Dispensei a entrega e fui pilotando minha Ceci entre as quadras até a 112, onde eu morava. Cheguei lá exibindo minha Ferrari com o maior orgulho: a bonitona era minha, comprei com o meu dinheiro!

Um dia, talvez pela lei do retorno ou praga da Patrícia, fui perseguida por uma matilha de cães enfurecidos, que pareciam querer me comer viva. Na intenção de chegar rápido na beira do lago, em embrenhei no mato entre a L2 e a avenida das Nações. Lá no meio, tinha uns barracos bem miseráveis e ao me aproximar, surgiu a cachorrada voando em minha direção. Sempre tive muito medo de cachorros, fiquei apavorada!

Fazer o que?? acho que gritei por socorro mas não apareceu ninguém. Se eu descesse da bicicleta, os bichos me avançavam. Continuei pedalando forte e espantando com chutes os cães com os dentes mirando minhas pernas. Nada me aconteceu por puro acaso porque o cenário era perfeito para eu ser destroçada !

Em compensação, num dia guardado com carinho na minha caixinha de lembranças, um príncipe me levou para casa, de madrugada, na garupa da sua bike. Vimos a manhã chegar navegando no deserto verde do Eixão, ao som do vento e gritos do sol. Foi de fato um belo amanhecer !

Também já naveguei na areia úmida da beira mar. Que delicia! A bicicleta desliza como as gaivotas, vai longe, rumo ao infinito. É a tal sensação de liberdade que te esbarra no caminho. Voltar pra que??
A praia é longa, vazia, linda, tem piscinas com peixinhos coloridos, pescadores que surgem do nada e te cumprimentam com sorriso largo. A bicicleta já me levou várias vezes ao paraíso !

Hoje em dia, ando pouco na minha bicicleta. Ela fica lá, trancafiada num quartinho da garagem, que só o zelador do prédio tem que a chave, e é difícil o processo todo de libertar a bicicleta. Isso me faz pensar agora o quanto eu estou lutando pouco pelo meu direito de explorar novos caminhos, deixar o vento contra bater forte no meu rosto e me levar para longe, para o novo desconhecido !!!