domingo, 28 de janeiro de 2018

O PERFUME




Seu cheiro não consegui decifrar./
Nem sentir./

O perfume da sua
Presença não ficou impregnado em mim. /

O seu olhar sim
Não saiu de dentro de mim./

Olhar de um velho caçador
que nunca perdeu um tiro ./

Olhar de quem não tem o mundo a perder./

E ninguém a ganhar./

Quero uma segunda chance./
Tira minha roupa
me dopa de prazer./

Preciso escutar seu perfume
dançando em volta de mim./

Quero ouvir sua grossa voz
- com cheiro de perfume seco -
sussurrar meu doce nome em vão./

 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A SOMBRA

Se te interessa saber
te digo. 
Meu coração nunca 
se amansou. 

Ele bate
des-com-pas-sa-da-men-te.
Todos os dias.
Não por você
é claro.
Por mim.

Perco o ar
a força nas pernas
o raciocínio lógico
a capacidade de reagir...
cada vez que a sombra
das suas pernas descansa
nas minhas costas.

Morro de Felicidade
quando vejo seus olhos
sorrirem para os meus
sem ao menos me olhar.
Ao sentir sua boca engolir
minha alma à seco.

E transformar em apenas
um, os dois corpos já
sem vidas
❤️

  

A imagem pode conter: bebida

DONA DE BRASÍLIA




Dona de Brasília

Convidada: Elisa Mattos é jornalista há 35 anos. Filha de pioneiro, cresceu em Brasília e aqui criou raízes. Precisa pisar no mar e respirar outros ares vez ou outra. Mas sente uma alegria imensa sempre que entra no Eixão, de volta para casa.
Sim, confesso, me sinto dona de Brasília.
E tenho crachá de livre acesso por todas as suas esquinas.
Faço parte do grupo de privilegiados que viu a Capital do Futuro tomar forma e tem orgulho das histórias que ajudaram a construir.
Pai, mãe, tio, tia, vizinhos… Os pioneiros! O pessoal da minha geração, e a de depois, todo mundo tem alguém próximo que veio enfrentar a crua terra seca do Cerrado para abrir os caminhos por onde hoje pisamos.
Meu pai foi um desbravador. Ainda no Rio de Janeiro, na Novacap, trabalhou na equipe de Lucio Costa nos traçados de Brasília. Seu Flávio era desenhista de edificações – debruçado na prancheta, munido de lapiseira de ponta fina, régua T e a inseparável borracha verde, fazia erguer no papel as obras que virariam concreto. 
Trouxe a mulher e os cinco filhos para morarem na Vila Planalto, em 1965. Tinha vindo dois anos antes, morava na pensão da Parapapaco, na W3 Sul. Nunca esquecemos o sonoro nome que meu pai escolheu para a dona da pensão. Talvez porque ela falava feito um papagaio?
Minha mãe, enfermeira, foi trabalhar no Hospital Distrital. Eu e meus irmãos crescemos brincando na rua e estudando em escolas públicas. Programa de domingo: dar voltas de carro pela cidade; rodopiar entre as tesourinhas; olhar as vitrines da Galeria do Hotel Nacional; comprar lanche na padaria mais chique da cidade, a Santa Clara!
Minha juventude foi toda na Asa Sul e, claro, frequentei todos os espaços culturais, boêmios e transgressores do Plano. Com moderação, é claro, porque nunca fui uma garota rebelde, mas amava estar entre os rebeldes.
Primeiro Cine Karin, lanchonete Chaplin, Pamonhão Kalu, Teatro da Escola Parque, Cultura Inglesa…. Concerto Cabeças na 311 Sul, Cine Brasília, Beirute, Beirute, Beirute, Bom Demais, Cafofo, festas no Lago Norte, festinhas no CO, na Arquitetura, na Comunicação, nas 400…
Endereços e lembranças que hoje em dia já são quase como um retrato na parede, papo de saudosistas. Mas que guardo como pedras preciosas, são fragmentos da minha vida!
Ainda moro aqui, tive meus amores aqui, minhas filhas nasceram em Brasília, estou ficando velha aqui!! Motivos não me faltam para brigar com unhas e dentes em nome dessa cidade, que já se mostra tão tacanha. Por vezes, me sinto fraca para continuar na luta. Muitos já desistiram, foram embora, voltaram para o mar…
Quando vejo minhas calçadas destruídas, ouço os gritos histéricos dos infelizes, esbarro em aventureiros que vieram caçar moedas de ouro… Também penso em arrumar minha mochila e pegar a estrada para o litoral. Mas é uma vontade que logo passa, tenho em mim a impossível missão de não deixar o avião perder o rumo. Afinal, o nosso céu não é o nosso mar?
E por que estou contando tudo isso?
Porque hoje vivo rodeada de pessoas que já não fazem parte desse roteiro. E jamais farão. Que ouvem minhas memórias como se eu tivesse aberto um livro mofado. Que só conhecem uma W3 decadente, que nunca se sentaram no pilotis do bloco à noite para ouvir música com os amigos, muito menos experimentaram a emoção de plantar bananeira numa pilastra. Que tratam a Vila Planalto como invasão, duvidam que o Hospital de Base um dia se chamou Distrital, o público melhor do Brasil. Beirute é bar de velho, “pastel com caldo de cana na Rodoviária? Feirinha da Torre aos sábados? Jantar no Roma? tá louca??”.
Meu Deus, como o meu passado é cafona!
Devo acreditar nisso? Claro que não. Meu passado é especial e o melhor que eu poderia ter.
A falta de interesse dos que chegaram muito depois de mim – vindos de estados ou até mesmo nascidos aqui – pela minha Brasília profunda por vezes me irrita ou me entristece. Mas a Brasília deles é outra, ainda está em construção, não posso interferir ou corrigir as frases da história pessoal de ninguém.
Posso, sim, é não permitir que a minha seja apagada por eles. Nem a minha nem a nossa. A história de Brasília pertence a uma multidão de sonhadores que deu a vida, trouxe vida, água, energia, sementes, cores, espaços, cantos, recantos, arte, mistérios… Os muitos mistérios que cercam o quadrado mais iluminado do planeta ✨☀️🌎.

Texto publicado no site OLHAR BRASÍLIA em 19/09/2017

DEPOIS DO CAFÉ

A imagem pode conter: árvore, planta, céu, atividades ao ar livre e natureza

🌿🌺🍃
Fica muito mais fácil respirar quando o verde e o vermelho voltam a tomar conta do meu caminho!
Minhas férias foram especiais demais: em menos de um mês, viajei por três estados, cruzei céus, mares, montanhas, trânsito caótico, estradas de terra... entre a metrópole e a cidadezinha singela.
Vi muitos peixes, vacas, búfalos, cavalos, galinhas, cachorros, pássaros... bichos soltos ao meu redor!Conheci pessoas que falam línguas diferentes e lembrei
que o mundo gira por outras esferas também 🌎
Revi amigos que moram no meu coração e trouxe outros pra mais perto.❤️
Reabri as portas da minha casa e as deixei abertas para novas entradas, mais saídas e muitas voltas!
Amanhã retorno ao trabalho um tanto a mesma Elisa, um tanto outra Elisa, muito diferente 💪🏿👊🏾😘✨