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| Museu da República DF |
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Corro para casa toda
Vez que a tempestade
Se aproxima.
Quero ver da janela
Os raios cruzarem o céu .
Raio de vida.
Que céus me oferece?
Já cansei de sorver o
Mesmo café amargo,
Todo santo dia.
Me aponta o rumo do
Velho caminho de
Cascalhos.
Gosto de comer poeira
De sentir os olhos
Arranhados pelo pó.
Gosto de sentar
Na lama da chuva.
Deixar meus pés
Afundarem no
barro mole
Sujar os cantos
das unhas.
Mergulhar no abismo
sem volta
Ressurgir das cinzas mornas
Mostrar meus dentes
de tubarão vingativo.
É a minha doce vida,
Que renasce todo
santo dia.
Olhos nos olhos
Mãos nas mãos
Pés nos pés
Não passa
Nunca passou
Nem na morte.
Saiu por ai
Catando pedras
Comendo raízes
Colhendo sementes
Cortando o vento.
Em três
Em trinta
Em troços.
Saiu por ai
Cruzando as pernas
Curtindo beijos
Cambaleando
Cansada
Cansada
Cansada
de tanto
querer.🌺
Eu devia era abrir
Seu peito com um facão
Arrancar seu coração e
Jogar no lixo para os
Ratos comerem.
Eu devia era rasgar
Suas roupas todinhas
E tocar fogo para
Te obrigar a andar
Nu pelas ruas
Que te criou.
Eu devia era jogar
Água fervente em
Seus pés para que
Nunca mais você
Desse um passo adiante.
Eu devia era salgar
Seu corpo inteirinho
Até abrir mil feridas
Que jamais serão
Cicatrizadas.
Eu devia era parar
De sonhar com
Você todas as noites
para deixar sua alma
Ir embora em paz👠