quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O sorriso da bela senhora...

Salvador

 Tem dia que a saudade chega com a força do mar revolto quando bate nas rochas cravadas de mariscos. Arranha em talhos profundos, arranca sangue, deixa a pele cravejada de espinhos.

Outros dias, a saudade é leve como a memória da bela senhora que já perdeu todos os seus amores e vive de olhar as lembranças através da janela, carregando um sorriso no canto da boca. 

Tem dia que a saudade avança com a velocidade de um salto livre do alto de despenhadeiro rumo ao vazio, em noite de lua cheia e mar manso. O som do fim da queda se espalha além das estrelas.

Outros dias, a saudade é música que embala os pássaros, levada pelo vento cor de rosa, alegre como na tarde em que desenhei seu nome ao lado do meu, com um coração flechado entre nós, como promessa de amor eterno.

E foi. Se foi. Se fosse...

                   

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Mais tempo...


Não é segredo que eu fiquei mais velha esta semana. É verdade que não saio por ai dizendo a minha idade mas não me importo revelar para quem perguntar (reservadamente, é claro). Mas digo: tenho idade suficiente para me permitir certas ousadias, em atos ou palavras. Para escolher onde ir e com quem andar. Gargalhar ou chorar onde, porque é por quem me der vontade. 
Já passei da segunda metade da expectativa média de vida do brasileiro, não tenho mais tempo à perder. Quando perco é por opção, não por imposição . 

Quero ser feliz todos os dias! O que é impossível. Não me importo com dias mornos, eles ajudam a equilibrar a carga dos excessos. Fico braba mesmo é quando estragam o meu dia com frases infelizes; interferem em minhas horas com problemas que não são meus; entram atropelando a minha paz e espalhando cacos de vidro no meu caminho.

Hoje, me peguei fazendo uma lista de coisas que me provocam antipatia ALFA! Nada que eu vá proibir de cometerem na minha frente ou vou romper amizades, é claro. Pelo menos de minha parte (ando meio ressabiada depois que um grupo de amigos rompeu comigo, sem dizer adeus, desde que revelei meu voto presidencial). 
São gestos que acho bobos, ou ridículos, ou até reveladores
 (alguns, acho graves) mas que tiram o meu sôssego. 
Vamos lá:
- quem toca guitarra invisível 
- quem faz coração com os dedos
- quem manda" beijo no coração" (aqui dependendo da pessoa é bonitinho)
- quem deixa rastro de perfume francês em mim
- quem come de boca aberta 
- ser ignorada pelx vendedxr ou garçonx
- quem faz bolinha com miolo de pão ( minha mãe fazia😱)
- começar uma conversa com: "- então"
- "eu te ligo". Mentira!
- elogiar com um " joinha"
- homem com pulseira dourada
- homem com sapato bicudão
- mulher com sobrancelha tatuada
- mulher com unhas de acrílico
- casal marombado 
- comida fria
- espumante quente

E mais um trilhão de picuinhas minhas, que não me levam a nada. Fazer o que? Só pode ser a conta a pagar por ter ultrapassado a metade do inteiro da existência .

Em compensação, a lista do que me dá prazer ao ver, ouvir, 
sentir, tocar... é imensamente maior, incalculável e irrevelável!🌻



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Verão ...

               
                        E então eu pego um avião e vou ao encontro do sossego.
                        Dou mergulhos em águas claras,  sem prender o ar.
                        Nado de braçadas largas até onde me é impossível chegar.
                   
                        Deixo o sol penetrar em mim sem o menor pudor.
                        Dou tudo de mim, entre um gole e outro de paz infinita.
                       
                        E então eu pego no sono profundo dos que acreditam em anjos.
                        O sonho é de calmaria: céu azul, risos frouxos, abraços mansos.

                        E então ele, sem licença, invade a cena, preenche o espaço,
                        com um simples e leve sorriso. Me lança um olhar de cumplicidade,
                        se aproxima galante, arrasta seus sábios pelo meu rosto.
                        Eu evito sua boca mas impossível desprezar tanta beleza.

                        E então, pego o avião de volta. Acima das nuvens,  alcanço
                        pensamentos que jamais pisarão em terra firme. Chego em
                        casa sonolenta, corro para cama, me cubro com lençol fresco.
                        Não deu nem tempo de apagar a luz antes de voltar à realidade.