domingo, 28 de setembro de 2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Some....

Por onde você andava bem na hora que eu mais precisava 
de você perto?
Porque você dormiu bem na hora que eu mais precisava
te ouvir ?
Como você me deixou falando sozinha bem na hora que eu 
mais precisava calar?
Onde você se escondeu bem na hora que eu mais precisava 
do seu ar?
Quando resolveu me largar bem na hora que eu mais precisava 
te pegar? 
Que sorriso é esse bem na hora que eu mais precisava 
arrancar seus olhos?

Toma, pega meu beijo ardente e some da minha frente!


Estação da Luz SP





quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Crônica de uma bicicleta feliz ....

Paraty RJ

Quando vi a bicicleta rosa recostada no muro tomado de limo, num beco encantado  da velha Paraty, respirei profundamente feliz e pensei:
" - como eu gosto de bicicleta!!"
Subir na bicicleta e tomar o rumo que o vento levar, é um ato de liberdade, a primeira transgressão de uma criança. A aventura de partir em alta velocidade, montado em duas rodas , sabendo que vai voltar, mas deixando nos outros a incerteza da volta, provoca uma euforia na alma infantil que jamais se esquece. É a fuga de mentirinha, o sumiço de poucas horas ou poucos minutos dos olhares vigilantes .

Menina de 8, 9 anos, eu morava na Vila Planalto, no acampamento da Rabelo, uma espécie de condomínio de chão de terra batida, onde viviam operários, funcionários públicos, migrantes... todos em harmonia dentro da mesma cerca. A minha aventura era pegar a bicicleta e ultrapassar os limites, chegar em outras ruas e descobrir seus encantos. Fazia isso com o coração na boca, assustada, com medo do imprevisível.
Procurava atalhos, admirava as casas, catava frutinhas do cerrado ... e voltava esbaforida, antes de ser descoberta. Um dia levei um tombo porque a borracha do guidom saiu na minha mão. A ponta do ferro bateu no canto da minha boca e fez um pequeno corte, sangrou mas eu não podia confessar minhas fugas e agüentei firme. Adoro a cicatriz que trago até hoje, sinal de uma bela lembrança .

Tempos depois, nos mudamos para a Asa Sul e a bicicleta continuou sendo minha companheira de passeios e exploração da redondeza. E também um instrumento perigoso nas mãos de uma Elisinha endiabrada. Uma vez briguei com a Patricia, minha melhor amiga, e resolvi castigá-la.
Ela emburrada, teimava em ficar encostada no carro com as pernas esticadas, provocativa. Eu, sem a menor dó, guiando em círculos, passei diversas vezes com os pneus da bicicleta em cima dos pesinhos finos dela. E ela firme, não chorava e nem pedia para eu parar. Foi um duelo de titãs!

Quando comecei a trabalhar, a primeira coisa que comprei com o meu primeiro salário foi.... uma bicicleta! Cor de rosa, com cestinha, como essa que me encontrou em Paraty. Era uma Caloi Ceci, o bibelô da época e eu achava a coisa mais linda! Numa tarde de sábado, fui até ao Conjunto Nacional e comprei o meu possante à vista, bem metida. Dispensei a entrega e fui pilotando minha Ceci entre as quadras até a 112, onde eu morava. Cheguei lá exibindo minha Ferrari com o maior orgulho: a bonitona era minha, comprei com o meu dinheiro!

Um dia, talvez pela lei do retorno ou praga da Patrícia, fui perseguida por uma matilha de cães enfurecidos, que pareciam querer me comer viva. Na intenção de chegar rápido na beira do lago, em embrenhei no mato entre a L2 e a avenida das Nações. Lá no meio, tinha uns barracos bem miseráveis e ao me aproximar, surgiu a cachorrada voando em minha direção. Sempre tive muito medo de cachorros, fiquei apavorada!

Fazer o que?? acho que gritei por socorro mas não apareceu ninguém. Se eu descesse da bicicleta, os bichos me avançavam. Continuei pedalando forte e espantando com chutes os cães com os dentes mirando minhas pernas. Nada me aconteceu por puro acaso porque o cenário era perfeito para eu ser destroçada !

Em compensação, num dia guardado com carinho na minha caixinha de lembranças, um príncipe me levou para casa, de madrugada, na garupa da sua bike. Vimos a manhã chegar navegando no deserto verde do Eixão, ao som do vento e gritos do sol. Foi de fato um belo amanhecer !

Também já naveguei na areia úmida da beira mar. Que delicia! A bicicleta desliza como as gaivotas, vai longe, rumo ao infinito. É a tal sensação de liberdade que te esbarra no caminho. Voltar pra que??
A praia é longa, vazia, linda, tem piscinas com peixinhos coloridos, pescadores que surgem do nada e te cumprimentam com sorriso largo. A bicicleta já me levou várias vezes ao paraíso !

Hoje em dia, ando pouco na minha bicicleta. Ela fica lá, trancafiada num quartinho da garagem, que só o zelador do prédio tem que a chave, e é difícil o processo todo de libertar a bicicleta. Isso me faz pensar agora o quanto eu estou lutando pouco pelo meu direito de explorar novos caminhos, deixar o vento contra bater forte no meu rosto e me levar para longe, para o novo desconhecido !!!





Doce perfume ....


Aonde eu pretendo chegar
caminhando assim:
passos lentos
cabeça baixa
olhos marejados
cabelos arrepiados
pés descalços?

 
Seria pedir demais
para que aquela 
roseira amarela
cheia de espinhos
folhas murchas
perfume doce...

saisse do meu caminho
e me deixasse seguir
em paz? 



Que dia afinal vai
cair aquela

chuva abençoada
que você prometeu
naquele dia que
segurei sua mão até

você pegar no sono? 


Aonde eu pretendo chegar
caminhando assim:

dentes cerrados
olhos fechados
cabeça ao vento
roupas rasgadas

e de mãos dadas
com o meu velho amor?!

 





 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Eu...



Eu?

Eu não sou dessas 
que saem por ai 
traçando o destino
buscando desventuras
acordando na sarjeta

Eu sou dessas
Que ficam por aqui
apagando o destino
encontrando aventuras 
dormindo no paraíso .





sábado, 6 de setembro de 2014

Desencontro...



Quando te vi, pensei:
Que droga de vida é essa
Que não me te trouxe antes?
Que raio de vida é essa
Que te escondeu trás montes?
Que diabo de vida é essa
Que me deixou além mar?
Que besta de vida é essa
Que não me deixou ir?
Que titica de vida é essa
Que não te deixou vir?
Que bosta de vida é essa
Que me faz de conta
Que nunca te vi?!


211 Sul