sexta-feira, 30 de junho de 2017

MEU TEMPO

Eu quero seguir em
frente, juro.
E porque não vou?
Porque não vou?
Porque o caminho
é fácil demais.
Preciso de estradas
tortuosas para me
sentir forte.
Preciso saltar rios
espinhosos para
me sentir viva.
Preciso me arrastar
por túneis enlameados
para conseguir respirar.
Seguir em frente não
Traz alegria alguma.
Não transforma a
angústia em prazer.
É trazer o previsível
Para perto demais.
Não conte comigo.
Não vou para onde
a sorte me espera.
Não saio do lugar.
Minha solidão é firme aqui,
debaixo dessa sombra seca.
Deixo o vento rasgar
meu rosto e criar marcas
tão profundas, que nem
o tempo poderá apagar.https://www.facebook.com/images/emoji.php/v9/ff4/1/16/2728.png
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

O tal do Politicamente Correto...



  • Tem uma frase que tá na moda, dita até por pessoas bacanas, amigos queridos, mas que me incomoda um tanto e vou falar: É a tal do "o mundo tá ficando chato demais", por conta das restrições impostas pelo tal "politicamente correto". Que, na verdade, é apenas a imposição ao respeito às diferenças.
    Chato isso, né, de não poder fazer piada em público contra pobre, preto, gay, gordo, baixinho, careca, desdentado... e tantas outras referências às pessoas tidas como bizarras e que são obrigadas todos os dias a aceitarem as piadinhas grosseiras sobre a sua condição ou aparência.
    Na verdade, muitas vezes, são brincadeiras carregadas de preconceito, ódio, intolerância... e que declaradas repetidamente ajudam a perpetuar o que deve ser eliminado forever!!
    Um exemplo são as críticas contra a decisão de alguns blocos de carnaval de não tocarem certas marchinhas, repetidas há décadas nos carnavais.   
    Ah, qual o problema de cantar " o teu cabelo não nega mulata... mas como a cor não pega, mulata eu quero seu amor"?? O problema é que, mais racista, impossível !! Fora que, o termo “mulata”, para quem não sabe, era como a escrava negra era chamada pelos "seus donos", numa referência à mula, a fêmea do cavalo, aquela fácil de montar.
    E tem outras músicas famosas na mesma linha:

    "nega do cabelo duro, qual é o pente que te penteia?" 
    Ou                                                                                         "ô mulata assanhada passa com graça, fazendo pirraça ... ai, meu Deus, que bom seria Eu pegava a escurinha e prendia no meu coração e depois a pretoria, é quem resolvia a questão."

    São tantos os exemplos na linha inocente e divertida de exaltações ao racismo, ódio e preconceito. Vamos ficar esperto, gente!! Desdenhar o "politicamente correto”, na minha opinião, está indo no mesmo caminho das figurinhas fascistas que desprezam "o tal direitos humanos"!
    Sei que tem gente aqui que vai comentar: 
    - Nossa, como Elisa tá chata, nada a ver !!
    É? Paciência. Como diria minha velha mãe cansada de guerra: - quem fala o que quer, ouve o que não quer.
    PELO POLITICAMENTE CORRETO SIM!!!
    o       


COVARDIA


                                                      Querer, eu quero
Muito!
 Cadê coragem?
  Seu olhar me faz promessas.
                                                                                                                                                                                 Acredito.
Lanço outro de volta.
palavras ridículas.
Não sei para que lado olhar.
Não sei falar outras línguas.
Me dá uma tremedeira
por dentro!

A distância é um alento
para o meu corpo
um alívio para o meu
coração encabulado.
Quero que você fique
bem distante de mim.

 Só assim, posso alimentar
meu desejo de te querer
cada vez mais perto
de mim.








LIBERDADE



Faça de mim sua sombra mais escura.
Deixa o que sobrou de mim ali,
largado no chão, restos de mim
para quem quiser pisar. 

Não sou luz...paz...amor...nada!
Sou treva...o fim do túnel...
o início do caos...o mergulho no
infinito.
Chego onde a vista jamais alcançou.

Sou a raiz que chegou do outro
lado da terra!
Sou fortaleza. Quem se atreve
a me tirar a voz? Sou guerra.
Meu coração foi remendado mil vezes.

Estou sóbria, tranquila, deitada
em lençóis limpos, cheiro de rosas
no ar, latidos de cão ao meu redor.
A liberdade que sempre busquei
e que nunca soube traduzir o seu nome.🦋🍃✨

foto: Elisa Mattos, Harlem NYC 2016