Faça de mim sua sombra mais escura.
Deixa o que sobrou de mim ali,
largado no chão, restos de mim
para quem quiser pisar.
Não sou luz...paz...amor...nada!
Sou treva...o fim do túnel...
o início do caos...o mergulho no
infinito.
Chego onde a vista jamais alcançou.
Sou a raiz que chegou do outro
lado da terra!
Sou fortaleza. Quem se atreve
a me tirar a voz? Sou guerra.
Meu coração foi remendado mil vezes.
Estou sóbria, tranquila, deitada
em lençóis limpos, cheiro de rosas
no ar, latidos de cão ao meu redor.
A liberdade que sempre busquei
e que nunca soube traduzir o seu nome.
foto: Elisa Mattos, Harlem NYC 2016

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