sábado, 21 de junho de 2014

A Velha

                                 


                                                                     Itapuã

A mulher é velha
O mundo é velho
O mar é velho e desbotado
A sombra não é suficiente
para proteger o corpo dela.
Corpo que não precisa
de proteção:
É ela quem protege o mundo.
Amansa o mar
Passeia na areia quente
Deixa o sol queimar seus velhos ombros.
Ela pensa nos filhos e nos seus homens
e nas vidas que arrasta sob suas saias.
A bela velha é a dama dona do Universo
e dos meus pobres versos...

Autoretrato


LUA CHEIA, me enlouquece
BACALHAU, dispenso
CERVEJA, rejeito

Tomo SOL sem protetor
CHUVA tomo com prazer
RAIOS, meus inimigos
AVIÕES, meu desafio
Não entendo PIADAS

RIO do nada
GRITO com o vento
CHORO de alegre

Dou murro na VIDA...
(e.m.)

Laranja, o Blog


Muitos me perguntam porque meu blog se chama LARANJA. Simples como a fruta:
 por causa de uma cena que me comoveu na praia de Ondina/Salvador, em fevereiro.
 E que me despertou para o gosto de voltar a escrever. Três crianças brincavam 
eufóricas com um único brinquedo: um baldinho de plástico cor de laranja. 
E dentro dele, elas carregaram por infinitas vezes a água do mar para preencher 
um outro mar, só delas, num pequeno pedaço de areia. 
E aquele LARANJA brilhava tanto, que ofuscava qualquer outra cor que tentasse 
invadir aquele mundinho! 
E eu me dei conta que a LARANJA, seja cor, seja fruta, seja cheiro, seja sensação , 
pode representar a essência da vida ☀️

FELICIDADE

A felicidade cabe dentro de
um balde cor de laranja.
Entre uma onda e outra,
uma explosão de vida!

Desafiar o Rei
Ser mais rápido que
o voo da rainha águia
Mais esperto que o peixinho
dourado que entrelaça,
em mil voltas,
as perninhas distraídas
das crianças donas do mar.

E a felicidade invadiu de tal jeito
o meu velho coração
porque ganhei da vida
a sorte de ver a dança dos meninos
e a mágica do brinquedo cor de laranja

transbordando estrelas 💖💕

(e.m.)






Raios e Borboletas



Como uma bruxa enamorada, congelei na retina dos meus olhos cada segundo de instante em que cada um dos meus amores, me possuiu.
O beijo na testa de boa tarde, entrou como flecha envenenada, rasgando tudo por dentro. E se instalou, certeira, na mais profunda das entranhas. Ela faz parte do meu corpo e, como uma imagem sagrada milagrosa, chora sangue todos os dias.
De outra vez, quando eu ouvi na despedida "- vai com Deus", me senti a mais protegida das mulheres! uma fada virgem, cercada de anjos de cor de rosa. Naquela noite, cheguei em casa como quem chega ao paraíso. E entreguei minha alma pura para o estranho de olhos verdes.
Nunca mais me libertei.
E de novo, um beijo na testa amoleceu meu coração. Beijo que se fez de bobo: escorregou terno até minha boca e se fez eterno. Se perpetuou, deu crias, espalhou estrelas.
O inseparável cigarro entre os dedos, os longos cabelos negros caídos sobre os olhos, o andar sempre em passos largos... faziam daquela figura o mais perturbador dos homens. Mas naquela manhã perdida no tempo, os olhos misteriosos se abriram e cruzaram os meus como uma chuva de raios na tempestade.
Foi a senha: a partir dali, todos os dias trocávamos discretos sorrisos, palavras poucas, fortes palpitações. Enfim, o encontro ardente dos corpos. Na longa noite à dentro, o furacão se fez vento leve e seguiu viagem por aquela longa estrada, tomada pela luz do calor intenso do sol morno do amanhecer.
Até que outro sopro me envolveu com a força das asas de uma borboleta.
Elisa.
O meu nome dito assim: leve, suave, calmo, doce, baixo, claro, cristalino, transparente, sereno... fez um eco tão apavorante, que corri assustada para debaixo da cama, me escondi calada no escuro, temendo ser agarrada pelo monstro de lábios de mel.
(e. m.)