sexta-feira, 29 de agosto de 2014

sangue, ferro e fogo...


Faz tanto tempo que não choro !
Não falo do choro manso,
de lágrimas que escorrem lentas
ao ouvir uma música de amor perdido
ou com a cena da morte do cãozinho fofo
da família perfeita do filme romântico .

Falo do choro de alma desesperada
do choro de grito calado
do corpo encolhido no canto da cama
rogando a Deus que a morte chegue logo
para aliviar meu coração.



Da ultima vez que um choro
destruiu meu dia
foi naquela noite em que me deixei
levar pela ilusão
de que a bicicleta na garagem
a cabana na praia deserta,
o luar invadindo a varanda
o casaco de lã azul claro na gaveta
a cerveja gelada no copo térmico
a toalha branca no chão
o travesseiro de penas de ganso na cama
e o beijo roubado na testa
... fossem provas suficientes
do pacto de vida eterna
feito à sangue, ferro e fogo.

Não foram.


Bastou o vaso de vidro
se quebrar
Para o encanto acabar
E eu chorar feito uma
louca sem alma 
até me acabar.

Mas isso foi há tanto tempo ....



 

2 comentários:

  1. Texto lindo, que só entende quem já viveu na carne a dura realidade de ver transformar-se em ruínas seu amor maior. Parabéns Elisa. Deu até vontade de escutar "Atrás da porta" com Elis Regina.

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  2. Elis cantando Atrás da porta é de fato dilacerante. Totalmente sobre o que escrevi. Você me entende, que bom!

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