quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Crônica de uma bicicleta feliz ....

Paraty RJ

Quando vi a bicicleta rosa recostada no muro tomado de limo, num beco encantado  da velha Paraty, respirei profundamente feliz e pensei:
" - como eu gosto de bicicleta!!"
Subir na bicicleta e tomar o rumo que o vento levar, é um ato de liberdade, a primeira transgressão de uma criança. A aventura de partir em alta velocidade, montado em duas rodas , sabendo que vai voltar, mas deixando nos outros a incerteza da volta, provoca uma euforia na alma infantil que jamais se esquece. É a fuga de mentirinha, o sumiço de poucas horas ou poucos minutos dos olhares vigilantes .

Menina de 8, 9 anos, eu morava na Vila Planalto, no acampamento da Rabelo, uma espécie de condomínio de chão de terra batida, onde viviam operários, funcionários públicos, migrantes... todos em harmonia dentro da mesma cerca. A minha aventura era pegar a bicicleta e ultrapassar os limites, chegar em outras ruas e descobrir seus encantos. Fazia isso com o coração na boca, assustada, com medo do imprevisível.
Procurava atalhos, admirava as casas, catava frutinhas do cerrado ... e voltava esbaforida, antes de ser descoberta. Um dia levei um tombo porque a borracha do guidom saiu na minha mão. A ponta do ferro bateu no canto da minha boca e fez um pequeno corte, sangrou mas eu não podia confessar minhas fugas e agüentei firme. Adoro a cicatriz que trago até hoje, sinal de uma bela lembrança .

Tempos depois, nos mudamos para a Asa Sul e a bicicleta continuou sendo minha companheira de passeios e exploração da redondeza. E também um instrumento perigoso nas mãos de uma Elisinha endiabrada. Uma vez briguei com a Patricia, minha melhor amiga, e resolvi castigá-la.
Ela emburrada, teimava em ficar encostada no carro com as pernas esticadas, provocativa. Eu, sem a menor dó, guiando em círculos, passei diversas vezes com os pneus da bicicleta em cima dos pesinhos finos dela. E ela firme, não chorava e nem pedia para eu parar. Foi um duelo de titãs!

Quando comecei a trabalhar, a primeira coisa que comprei com o meu primeiro salário foi.... uma bicicleta! Cor de rosa, com cestinha, como essa que me encontrou em Paraty. Era uma Caloi Ceci, o bibelô da época e eu achava a coisa mais linda! Numa tarde de sábado, fui até ao Conjunto Nacional e comprei o meu possante à vista, bem metida. Dispensei a entrega e fui pilotando minha Ceci entre as quadras até a 112, onde eu morava. Cheguei lá exibindo minha Ferrari com o maior orgulho: a bonitona era minha, comprei com o meu dinheiro!

Um dia, talvez pela lei do retorno ou praga da Patrícia, fui perseguida por uma matilha de cães enfurecidos, que pareciam querer me comer viva. Na intenção de chegar rápido na beira do lago, em embrenhei no mato entre a L2 e a avenida das Nações. Lá no meio, tinha uns barracos bem miseráveis e ao me aproximar, surgiu a cachorrada voando em minha direção. Sempre tive muito medo de cachorros, fiquei apavorada!

Fazer o que?? acho que gritei por socorro mas não apareceu ninguém. Se eu descesse da bicicleta, os bichos me avançavam. Continuei pedalando forte e espantando com chutes os cães com os dentes mirando minhas pernas. Nada me aconteceu por puro acaso porque o cenário era perfeito para eu ser destroçada !

Em compensação, num dia guardado com carinho na minha caixinha de lembranças, um príncipe me levou para casa, de madrugada, na garupa da sua bike. Vimos a manhã chegar navegando no deserto verde do Eixão, ao som do vento e gritos do sol. Foi de fato um belo amanhecer !

Também já naveguei na areia úmida da beira mar. Que delicia! A bicicleta desliza como as gaivotas, vai longe, rumo ao infinito. É a tal sensação de liberdade que te esbarra no caminho. Voltar pra que??
A praia é longa, vazia, linda, tem piscinas com peixinhos coloridos, pescadores que surgem do nada e te cumprimentam com sorriso largo. A bicicleta já me levou várias vezes ao paraíso !

Hoje em dia, ando pouco na minha bicicleta. Ela fica lá, trancafiada num quartinho da garagem, que só o zelador do prédio tem que a chave, e é difícil o processo todo de libertar a bicicleta. Isso me faz pensar agora o quanto eu estou lutando pouco pelo meu direito de explorar novos caminhos, deixar o vento contra bater forte no meu rosto e me levar para longe, para o novo desconhecido !!!





Doce perfume ....


Aonde eu pretendo chegar
caminhando assim:
passos lentos
cabeça baixa
olhos marejados
cabelos arrepiados
pés descalços?

 
Seria pedir demais
para que aquela 
roseira amarela
cheia de espinhos
folhas murchas
perfume doce...

saisse do meu caminho
e me deixasse seguir
em paz? 



Que dia afinal vai
cair aquela

chuva abençoada
que você prometeu
naquele dia que
segurei sua mão até

você pegar no sono? 


Aonde eu pretendo chegar
caminhando assim:

dentes cerrados
olhos fechados
cabeça ao vento
roupas rasgadas

e de mãos dadas
com o meu velho amor?!

 





 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Eu...



Eu?

Eu não sou dessas 
que saem por ai 
traçando o destino
buscando desventuras
acordando na sarjeta

Eu sou dessas
Que ficam por aqui
apagando o destino
encontrando aventuras 
dormindo no paraíso .





sábado, 6 de setembro de 2014

Desencontro...



Quando te vi, pensei:
Que droga de vida é essa
Que não me te trouxe antes?
Que raio de vida é essa
Que te escondeu trás montes?
Que diabo de vida é essa
Que me deixou além mar?
Que besta de vida é essa
Que não me deixou ir?
Que titica de vida é essa
Que não te deixou vir?
Que bosta de vida é essa
Que me faz de conta
Que nunca te vi?!


211 Sul

















sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A VOLTA.....


chegar em casa
despertar sorrisos,
lambidas, beijinhos,
abraços e carinhos.

ir longe, atravessar montanhas, decifrar calçadas, debruçar
em muros, fechar os olhos para enxergar 
melhor o infinito.

o melhor da  viagem
é a bagagem da volta.



o vermelho vida que toma conta de mim <3

vagalumes ....


    Já pisei em tantas areias! cada uma mais quente que a outra.
Areias geladas também foram muitas as tocadas pelos meus pés.

    Em cada lugar, um mar diferente na cor, na brisa, no redemoinho que traz pra margem a areia do profundo oceano.

    Já pisei muitos oceanos, cada um mais quente que o outro!
Gelados oceanos também tocaram meus pés, me arrastaram para o mais alto dos céus .

    Agora fico eu por ai ... vagando... esbarrando em vagalumes 
  nas esquinas...



sangue, ferro e fogo...


Faz tanto tempo que não choro !
Não falo do choro manso,
de lágrimas que escorrem lentas
ao ouvir uma música de amor perdido
ou com a cena da morte do cãozinho fofo
da família perfeita do filme romântico .

Falo do choro de alma desesperada
do choro de grito calado
do corpo encolhido no canto da cama
rogando a Deus que a morte chegue logo
para aliviar meu coração.



Da ultima vez que um choro
destruiu meu dia
foi naquela noite em que me deixei
levar pela ilusão
de que a bicicleta na garagem
a cabana na praia deserta,
o luar invadindo a varanda
o casaco de lã azul claro na gaveta
a cerveja gelada no copo térmico
a toalha branca no chão
o travesseiro de penas de ganso na cama
e o beijo roubado na testa
... fossem provas suficientes
do pacto de vida eterna
feito à sangue, ferro e fogo.

Não foram.


Bastou o vaso de vidro
se quebrar
Para o encanto acabar
E eu chorar feito uma
louca sem alma 
até me acabar.

Mas isso foi há tanto tempo ....



 

doce vento....

O vento que sopra para trás é o mais perigoso: derruba muros, destrói escadas, cava túneis, constrói terremotos, arruina castelos!

O canto doce do vento que sopra para trás é mais perigoso do que nadar em mar revolto em noite de tempestade: mata sereias. 

O vento que sopra para trás pode dar infinitos saltos mortais para conquistar o coração da amada cega.

Nem precisa. A amada já caiu na armadilha do vento que sopra para trás. 
Ela suspira noite e dia, noite e dia, noite e dia...



amanhecer em Saquaira  BA

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

SP/RJ Olhar Urbano agosto/2014


Paisagem concreta...
Paisagem natural...
Paisagem humana...
Tão feia
Tão bela
Noturna
Solar
Bipolar!


SP

SP

Copacabana




Santa Teresa


Santa Teresa


Estação Sé



                                                                                         Av. Paulista





Rua Augusta

Rua Augusta

    Estação Sé


Parque das Ruinas   Santa Teresa

Arpoador

ESTAÇÂO DA SÉ

Estação da Sé

Av. Paulista

MEB

Copacabana

 Arpoador

domingo, 10 de agosto de 2014

Dia dos pais....

De todas as saudades, a dele é a mais profunda. 
Meu pai conheceu a miséria na infância, viu a guerra de perto na juventude, ajudou a traçar a cidade onde seus filhos cresceram. Sr. Flávio teve uma vida dura mas chegou à velhice com a serenidade dos sábios. 

E nos deixou uma herança enorme: saber enxergar o mundo com o coração ❤️❤️❤️


Brasília

Brasília
Brasília




Adicionar legenda
 
Méier RJ


 
 
 

 
 
Niterói
 
 
 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

pássaro ....


Tem
Um
Pássaro
No
Galho
Seco
No
Galho
Seco
Tem
Um
Pássaro
Um
Pássaro
Só
No
Galho
Seco
Seco
Galho
Com
Um
Pássaro
Só
Um pássaro pia só no galho seco tem um pássaro que pia só
no galho seco um pássaro pia só no galho seco tem um pássaro
que pia só no galho seco um pássaro pia só no galho seco
tem um pássaro que pia só no galho seco um pássaro pia só

sábado, 2 de agosto de 2014

Insônia ....

Tem noite que caminho                                                            
acima das nuvens,
no mais alto dos céus

Os sonhos ficam lá embaixo,
no banco da pracinha vazia,
silenciosa, pouca sombra,
com mangas maduras pelo chão
e enjoativo perfume doce no ar.

Tem noite que é melhor
brincar de pescar estrelas,
mergulhar no azul da sombra
chegar a lugar nenhum
ficar de olhos vidrados
para não correr o risco
de pegar no sono .

minha esquina....


Cabo Frio
O que vou encontrar ao dobrar aquela esquina?

Talvez o grande amor perdido 
Talvez um novo grande amor
Talvez o anel de ouro que perdi 
 não lembro quando. 
Talvez o anel de ouro 
perdido não sei por quem.

Talvez uma caixa de papelão com um
ninhada de gatinhos gemendo de fome 
embaixo da janela da viúva 
Talvez o velho barbudo e bêbado sentado 
ao pé do muro contando moedas

Talvez a menina que perdeu o rumo de casa 
ao ficar perseguindo borboletas
Talvez o mundo colorido que pintei com 
a caixinha de aquarela que ganhei 
na infância do amigo do meu pai

Talvez a sombra de mim mesma, 
que um dia fugiu de mim, 
se estilhaçou em mil pedaços
e se deixou espalhar pelo vento.


sábado, 19 de julho de 2014

Brasília de outro ângulo ...



W/3 NORTE

SQS 205

W/3 NORTE




SQS 211

VILA PLANALTO




Nós dois....



Ele não é mais ele
Eu não sou mais eu
O dia é outro
A casa tem outro endereço. 
Mas, quando o olhar
entra assim, penetrante 
no meu e o sorriso 
brilha mais que os olhos...
Ai!!! meu coração 
dispara
Derrete
Derrama 
a saudade pela cama
O choro é de felicidade
por saber que teve 
um dia que aquele
amor era de verdade 
Ele era ele
Eu era eu.








domingo, 13 de julho de 2014

Dor de Pedras...



Paraty 

Como me doem os pés quando piso em pedras!

Como me doem as mãos quando pego em pedras!


Como me dói o coração quando recebo pedras!


Como me dói a alma quando me transformo em pedras!


Como me dói o corpo quando me arrasto em pedras!


Como me dói tudo... quando não ouço as pedras !!

sábado, 12 de julho de 2014

O BILHETE....


No bilhete estava escrito:

"Vai com Deus e volta logo

para mim".


 Na volta, ele não estava mais lá.

A cama, nem foi desfeita.

A toalha, seca como papel, 
descansava no aparador da pia.

A escova de dentes, desapareceu 
do pontinho de louça branca.
 
O bilhete... o bilhete... 
o bilhete está aqui, amassadinho
guardado carinhosamente 
dentro da minha mão esquerda
fechada como concha.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Rosa amarela


SQS 208

Eu não vou me arrepender jamais de ter arrancado 
aquela flor amarela daquele belo jardim.

Também não vou me arrepender de ter rasgado 
a pagina central daquele livro romântico 
Escrito por aquele poeta genial.

Muito menos de ter fechado a cortina 
quando aquele belo sol de primavera 
insistia em invadir meu quarto. 

Só me arrependo mesmo de não ter gritado 
bem alto o nome daquele que deixei partir 
naquele trem desgovernado 
que despencou rumo ao abismo.


mãe e filha...


Traz pão integral e queijo branco!! Tentei comprar 
mas não consegui estacionar e meu olho tá 
fechando de sono
- ah não. Eu já falei pra parar de me pedir 
Não aguento mais ir no mercado pra vc todo dia

Vou fugir às duas. Quer ir almoçar em algum lugar?
- Não. Casa é bom 
Mas não tem comida
- Tem ovo frango carne linguiça 
Então, vai fazendo...

Mar del Plata



segunda-feira, 7 de julho de 2014

PÉROLAS E SANTOS....

                Sou uma beata que se
                esquece de rezar
                que mistura os deuses
                embaralha as crenças 

              Que tem fé no invisível 
              guarda imagens
              borrifa água benta
              e arruda pela casa

             Espalho pérolas pelo chão.


Encontro...

Museu da República 
Tudo do avesso!
Eu, estranhamente feliz
Ele, estranhamente feliz

Entre nós:

Palavras por encontrar
Histórias por recortar
Verbos indefinidos

Conjugar:

Futuro, presente, passado...

Mistérios ....

( p/Dani Araújo)

Do mundo, não espero respostas!
Não espero nada....

Quero apenas todas... todas...
...todas ... as tolas perguntas!!!


Brasília 

Segredinhos....


Domingo acordei e me perguntei:

- pra que tantas caixas, caixinhas, cestinhas,
Imagens, santos, sonhos, lembranças ...
Tantas vidas!!!

E tomei uma decisão :
Domingo que vem, vou acordar 
Em outro lugar .